| Cocaína versus felicidade |
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| Escrito por Dr. Lisias Castilho | |||
Em todas as grandes cidades do Brasil e em muitas cidades pequenas, sem qualquer dificuldade você pode comprar — e não é caro — um pouco de cocaína na forma de pó. Vendida como felicidade em pó, ela pode ser misturada com alguma bebida alcoólica e ingerida, ou então diluída em água e injetada na veia, ou, ainda, inalada com um canudinho pelo nariz. Alguns minutos depois ela provoca uma sensação geralmente agradável: o usuário se sente sem fome, sem sono, forte, cheio de disposição, com o raciocínio acelerado e claro. No entanto, se ele errar a dose e usar um pouquinho só a mais, o mal-estar pode ser enorme. Poderão ocorrer convulsões e até a morte. Sem considerar a possibilidade de droga impura, que pode fazer mal qualquer que seja a dose. Muitos traficantes misturam pó de mármore, talco, farinha e diversos outros produtos para aumentar seus lucros. Dependendo do produto adicionado à cocaína, a toxicidade aumenta e os riscos também.
A cocaína não vicia como o álcool, a morfina e a heroína. Quem usa cocaína pode ficar psicologicamente dependente da droga, mas só isso. Largar a cocaína de repente não faz qualquer mal à saúde. Não é necessário largar a droga aos poucos. Pode-se deixá-la de uma só vez, sem riscos. É claro que uma ajuda médica e psicológica ajudam, mas cocaína definitivamente não vicia do mesmo modo que o álcool, a heroína e a morfina. O usuário de cocaína corre riscos de vida a cada vez que usa a droga, mas não para largá-la. Muitos, aliás, querem deixar a cocaína mas pensam que terão terríveis crises de abstinência, que poderão matá-los ou enlouquecê-los. Pura bobagem! Quem usa cocaína pensa que pode afogar as mágoas e obter felicidade por meio dela. Só que depois que passa o efeito, tudo volta a ser como antes. Volta-se então à droga e assim se cria um círculo vicioso. Quanto mais tristeza e mágoa, mais droga, até que um belo dia lá se foi a saúde ou mesmo a vida.
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