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Câncer de esôfago

O câncer do esôfago se origina nas células que revestem a parede do esôfago (o tubo que conecta a garganta ao estômago).

O uso de tabaco e de álcool, infecções por papilomavírus humano e certos distúrbios esofágicos são os principais fatores de risco para certos tipos de câncer esofágico.

Os sintomas característicos incluem dificuldade para engolir, perda de peso e posteriormente, dor.

 

O diagnóstico:

É baseado em uma endoscopia.

A menos que detectado com antecedência, quase todos os casos de câncer no esôfago são fatais.

Cirurgia, quimioterapia e várias outras terapias podem ajudar a aliviar os sintomas.

Os tipos mais frequentes de câncer de esôfago são o carcinoma de células escamosas e o adenocarcinoma, que se desenvolvem nas células do epitélio esofágico. O carcinoma de células escamosas é mais comum na parte superior do esôfago. O adenocarcinoma é mais comum na parte inferior. Esses tipos de câncer podem se assemelhar a uma estenose (constrição) do esôfago, uma saliência, uma zona plana anormal (placa) ou uma ligação anormal (fístula) entre o esôfago e as vias respiratórias que abastecem os pulmões. Entre os tipos menos frequentes de câncer de esôfago encontram-se os leiomiossarcomas (câncer do músculo liso esofágico) e o câncer metastático (disseminado a partir de outra parte do corpo).

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 11.390 novos casos de câncer de esôfago (8.690 em homens e 2.700 em mulheres). Esses valores correspondem a um risco estimado de 8,32 casos novos a cada 100 mil homens e 2,49 para cada 100 mil mulheres.

O tabagismo (de qualquer tipo) e a ingestão de álcool são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer esofágico, com maior frequência de carcinoma de células escamosas do que de adenocarcinoma. Pessoas que tiveram determinadas infecções causadas pelo papilomavírus humano, que apresentaram câncer da cabeça ou do pescoço, ou submetidas à radioterapia esofágica para o tratamento de câncer em regiões próximas, correm maior risco de sofrer de câncer de esôfago.

Esôfago de Barrett
Esôfago de Barrett

Sintomas

Na sua fase inicial, o câncer de esôfago pode não ser detectado. O primeiro sintoma do câncer esofágico costuma ser a dificuldade em engolir alimentos sólidos, que se desenvolve à medida que o câncer cresce e causa o estreitamento do esôfago. Várias semanas mais tarde, torna-se difícil engolir sólidos moles e em seguida, até líquidos e saliva. A perda de peso é comum, mesmo quando a pessoa afetada mantém boa alimentação. A pessoa pode sentir dores no peito que dão a impressão de radiar para as costas.

À medida que o câncer avança, vários nervos e outros tecidos e órgãos são frequentemente afetados. O tumor pode comprimir o nervo responsável pelo controle das cordas vocais, podendo causar rouquidão. A compressão dos nervos circundantes pode causar dor na coluna vertebral, paralisia do diafragma e soluços. O câncer costuma se disseminar aos pulmões, onde pode causar falta de ar, e ao fígado, podendo causar febre e inchaço abdominal. A disseminação para os ossos pode causar dor. A disseminação para o cérebro pode causar dor de cabeça, confusão e convulsões. A disseminação para o intestino pode causar vômitos, sangue nas fezes e anemia por deficiência de ferro. A disseminação para os rins é geralmente assintomática.

Nas suas fases finais, o câncer pode obstruir completamente o esôfago. A deglutição torna-se impossível, causando acúmulo de secreções na boca, o que pode causar grande aflição.

Diagnóstico

Endoscopia e biópsia

Ingestão de bário

Tomografia computadorizada (TC)

Ultrassonografia

A endoscopia, procedimento no qual um tubo flexível de visualização (endoscópio) é inserido por via oral para visualizar o esôfago, é o procedimento diagnóstico mais indicado quando há suspeita de câncer de esôfago. A endoscopia também permite ao médico a coleta de amostras de tecido (biópsia) e células soltas (citologia esfoliativa) para análise posterior.

Um procedimento radiológico denominado estudo radiológico com ingestão de bário (em que a pessoa ingere uma solução de bário visível nas radiografias) também pode ser útil para evidenciar a obstrução. Tomografia computadorizada torácica e abdominal e ultrassonografia realizada por um endoscópio  no esôfago podem ser feitas para melhor avaliar a extensão do câncer.

Prognóstico

Como o câncer de esôfago não é geralmente diagnosticado antes da disseminação da doença, o índice de mortalidade é muito alto. Menos de 5% das pessoas têm sobrevida superior a cinco anos. Muitas morrem no prazo de um ano após os primeiros sintomas. As exceções incluem adenocarcinomas que são diagnosticados quando ainda são muito rasos (superficiais). Esses tipos de câncer rasos são ocasionalmente curados pela cauterização por ondas de rádio (ablação por radiofrequência) ou por remoção endoscópica.

Como quase todos os casos de câncer de esôfago são fatais, o principal objetivo do médico é controlar os sintomas, sobretudo a dor e a dificuldade para engolir, o que pode assustar muito a pessoa e os seus parentes.

Tratamento

Remoção cirúrgica

Quimioterapia combinada com radioterapia

Alívio dos sintomas

A cirurgia para eliminar o tumor oferece um alívio mais prolongado, mas raramente pode curá-lo, uma vez que, no momento da intervenção cirúrgica, o câncer pode já ter se disseminado. A quimioterapia, em associação à radioterapia ( Terapia de câncer combinada) pode aliviar os sintomas e prolongar a sobrevida por alguns meses. Às vezes, uma combinação de radioterapia com quimioterapia é realizada antes da cirurgia e pode aumentar a sobrevida.

Outras medidas têm como objetivo aliviar os sintomas, principalmente a dificuldade para engolir. Tais medidas incluem a dilatação da área estenosada do esôfago e, em seguida, a inserção de um tubo flexível de malha de metal (um stent vascular) para manter o esôfago aberto, a queima do câncer por laser para ampliar a abertura e o uso de radioterapia para destruir o tecido canceroso responsável pela obstrução do esôfago.

Uma técnica mais recente para aliviar os sintomas é a terapia fotodinâmica, em que um produto fotossensível (meio de contraste) é administrado por via intravenosa 48 horas antes do tratamento. O contraste é absorvido pelas células cancerosas em maior grau do que pelas células normais que rodeiam o tecido esofágico. Quando ativadas pela luz de um laser que se introduz no esôfago através de um endoscópio, o produto fotossensível destrói o tecido, desobstruindo assim o esôfago. A terapia fotodinâmica destrói as lesões obstrutivas mais rapidamente do que a radioterapia ou a quimioterapia, em pessoas incapazes de tolerar a cirurgia devido à deterioração avançada do seu estado de saúde.

Uma orientação nutricional adequada faz com que o tratamento seja possível e mais bem tolerado. Se a pessoa for capaz de engolir, poderá tomar complementos concentrados de líquidos nutritivos. É possível que pessoas que não conseguem engolir precisem ser alimentadas através de um tubo estomacal inserido pela parede abdominal (tubo de gastrostomia).

Uma vez que a morte é provável, uma pessoa com câncer de esôfago deve tomar todas as providências necessárias. A pessoa deve conversar francamente com o médico sobre as suas preferências em relação aos cuidados médicos e sobre a necessidade de cuidados terminais.

Fonte: Por Minhhuyen Nguyen, MD, Fox Chase Cancer Center, Temple University traduzido por Momento Saude

Instituto Nacional de Câncer (INCA)

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O uso de tabaco e de álcool, infecções por papilomavírus humano e certos distúrbios esofágicos são os principais fatores de risco para certos tipos de câncer esofágico.