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Leucemia linfocítica aguda (LLA)

Leucemia linfocítica aguda (LLA)

A leucemia linfocítica aguda é uma doença com risco à vida na qual as células que normalmente se convertem em linfócitos se tornam cancerosas e substituem rapidamente as células normais da medula óssea.

As pessoas podem ter sintomas tais como febre, fraqueza e palidez porque também estão com poucas células sanguíneas normais.

Geralmente, são realizados exames de sangue e uma avaliação da medula óssea.

É administrada quimioterapia, que é frequentemente eficaz.

A leucemia linfocítica aguda (LLA) ocorre em pessoas de todas as faixas etárias, mas é o câncer mais comum nas crianças, representando 75% de todas as leucemias em crianças com menos de 15 anos de idade. A LLA afeta frequentemente crianças entre 2 e 5 anos de idade. Na população adulta, é relativamente mais frequente nas pessoas com mais de 45 anos.

Na LLA, células leucêmicas muito imaturas se acumulam na medula óssea e destroem e substituem células que produzem células sanguíneas normais. As células leucêmicas são transportadas pela corrente sanguínea para o fígado, o baço, os linfonodos, o cérebro e os testículos, onde podem continuar a crescer e se dividir.

Contudo, as células de LLA podem se acumular em todas as partes do corpo. Elas podem se espalhar para as camadas de tecido que recobrem o cérebro e a medula espinhal (meningite leucêmica) e causar anemia, insuficiência hepática e renal e danos a outros órgãos.

Sintomas

Os primeiros sintomas de LLA resultam da incapacidade da medula óssea de produzir células sanguíneas normais suficientes.

 

Febre e suor excessivo podem indicar infecção. Um elevado risco de infecção resulta de um número de glóbulos brancos normais baixo demais.

 

Fraqueza, fadiga e palidez, que indicam anemia, resultam de um número de glóbulos vermelhos baixo demais. Algumas pessoas podem apresentar dificuldade para respirar, aceleração da frequência cardíaca ou dor no peito.

 

Facilidade para formar hematomas e hemorragias, às vezes sob a forma de hemorragias nasais ou sangramento das gengivas, resulta de um número de plaquetas baixo demais. Em alguns casos, as pessoas podem ter sangramento no cérebro ou no abdômen.

Outros sintomas ocorrem quando as células leucêmicas invadem outros órgãos.

 

As células leucêmicas no cérebro podem causar dores de cabeça, vômitos, acidente vascular cerebral e distúrbios de visão, equilíbrio, audição e dos músculos faciais.

 

Células leucêmicas na medula óssea podem causar dores ósseas e articulares.

 

Pode ocorrer uma sensação de inchaço abdominal e, em alguns casos, dor, quando as células leucêmicas causam o aumento do tamanho do fígado e do baço.

Você sabia que…

 

Cerca de 80% das pessoas com leucemia linfocítica aguda são curadas.

Diagnóstico

 

Exames de sangue

 

Exame da medula óssea

Exames de sangue, como um hemograma completo, podem fornecer a primeira evidência de LLA. O número total de glóbulos brancos pode ser baixo, normal ou elevado, mas a quantidade de glóbulos vermelhos e plaquetas está quase sempre reduzida. Além disso, glóbulos brancos muito imaturos (blastos) estão presentes no sangue.

Quase sempre é feito um exame da medula óssea para confirmar o diagnóstico e distinguir a LLA de outros tipos de leucemia. Os blastos são testados para detectar anormalidades cromossômicas, o que ajuda os médicos a determinarem o tipo exato de leucemia e que medicamentos usar para tratá-la.

São realizados exames de sangue e urina para detectar outras anomalias, incluindo anormalidades de eletrólitos.

Também podem ser necessários exames por imagens. É realizada uma tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) caso a pessoa tenha sintomas que sugiram células leucêmicas no cérebro.

Pode ser realizada uma TC torácica para verificar a presença de células leucêmicas na área ao redor dos pulmões. Pode ser realizada uma TC, RM ou ultrassonografia do abdome quando existem órgãos internos aumentados. Pode ser realizado um ecocardiograma (ultrassom do coração) antes de iniciar a quimioterapia porque a quimioterapia, às vezes, afeta o coração.

Prognóstico

Antes de existir um tratamento, a maioria das pessoas que sofria de LLA morria em até quatro meses após o diagnóstico. Atualmente, quase 80% das crianças e entre 30 e 40% dos adultos com LLA são curados.

Na maioria dos casos, o primeiro ciclo de tratamento com quimioterapia controla a doença (remissão completa). Crianças entre os 3 e os 9 anos de idade têm o melhor prognóstico.

Bebês e adultos mais idosos obtêm menos sucesso. A contagem de glóbulos brancos no momento do diagnóstico, determinar se a leucemia se espalhou para o cérebro e as anomalias cromossômicas das células leucêmicas também influenciam o resultado.

Tratamento

O tratamento consiste em:

  • Quimioterapia
  • Outros medicamentos, como imunoterapia e/ou terapia direcionada
  • Raramente, transplante de células-tronco ou radioterapia

Quimioterapia é altamente eficaz e é administrada em etapas:

  • Indução
  • Tratamento do cérebro
  • Consolidação e intensificação
  • Manutenção

A quimioterapia por indução é a fase inicial do tratamento. O objetivo da quimioterapia de indução é alcançar a remissão destruindo as células leucêmicas, para que as células normais possam voltar a crescer na medula óssea. As pessoas podem precisar permanecer no hospital por alguns dias ou semanas, dependendo da rapidez com a qual a medula óssea se recuperar.

Uma de diversas combinações de medicamentos é usada e as doses são repetidas por diversos dias ou diversas semanas. A combinação específica depende dos resultados dos exames de diagnóstico.

Uma dessas combinações consiste em prednisona (um corticosteroide) por via oral e doses semanais de vincristina (um quimioterápico) administradas com uma antraciclina (geralmente daunorrubicina), asparaginase e, por vezes, ciclofosfamida por via intravenosa.

Podem ser usados novos medicamentos, tais como imunoterapia (um tratamento que usa o próprio sistema imunológico do indivíduo para matar as células cancerosas) e terapia direcionada (medicamentos que atacam os mecanismos biológicos inatos da célula cancerosa) em alguns pacientes com LLA.

O tratamento do cérebro geralmente começa durante indução e pode continuar durante todas as fases de tratamento. Como há probabilidade de a LLA se espalhar para o cérebro, o tratamento se concentra em tratar a leucemia que se espalhou para o cérebro ou em prevenir a propagação de células leucêmicas para o cérebro.

Para o tratamento de células leucêmicas nas camadas de tecido que recobrem o cérebro e a medula espinhal (as meninges), é geralmente injetado metotrexato, citarabina, corticosteroides ou uma combinação diretamente no líquido cefalorraquidiano, ou podem ser administradas doses altas desses medicamentos por veia (via intravenosa). Essa quimioterapia pode ser administrada em combinação com radioterapia ao cérebro.

A fase de consolidação e intensificação continua o tratamento da doença da medula óssea. Podem ser usados quimioterápicos adicionais ou os mesmos medicamentos usados durante a fase de indução algumas vezes em um período de várias semanas. No caso de algumas pessoas com risco elevado de recidiva devido a alterações cromossômicas específicas encontradas em suas células leucêmicas, transplante de células-tronco quando ocorrer a remissão.

A quimioterapia de manutenção posterior, que normalmente consiste em menos medicamentos, às vezes em doses menores, geralmente continua por dois a três anos.

Pessoas idosas com LLA podem não ser capazes de tolerar o regime intensivo usado em pessoas mais jovens. Nessas pessoas, regimes de indução mais suaves isoladamente (sem consolidação, intensificação ou manutenção subsequente) são uma opção. Às vezes, a imunoterapia ou uma forma mais suave de transplante de células-tronco pode ser uma opção para algumas pessoas idosas.

Durante todas as fases acima, podem ser necessárias transfusões de sangue e de plaquetas para tratar anemia e prevenir hemorragias, e podem ser necessários antimicrobianos para tratar infecções.

Também podem ser usados líquidos intravenosos e terapia com alopurinol ou rasburicase para ajudar o corpo a se livrar de substâncias prejudiciais, tais como ácido úrico, liberadas quando as células leucêmicas são destruídas.

Recidiva

As células leucêmicas podem reaparecer (um quadro denominado recidiva), frequentemente no sangue, na medula óssea, no cérebro ou nos testículos. O reaparecimento precoce na medula óssea é especialmente grave.

Procede-se novamente à administração de quimioterapia. Ainda que muitas pessoas respondam a essa repetição do tratamento, a doença tem uma forte tendência a retornar, principalmente em bebês e adultos.

Quando células leucêmicas reaparecem no cérebro, são injetados quimioterápicos no líquido cefalorraquidiano uma ou duas vezes por semana. Quando ressurgem células leucêmicas nos testículos, é administrada radioterapia nos testículos junto com quimioterapia.

No caso das pessoas com recidiva, doses elevadas de quimioterápicos, juntamente com transplante de células-tronco alogênico (“alogênico” significa que as células-tronco se originam de outra pessoa), oferecem a melhor chance de cura.

Mas o transplante pode ser realizado somente se as células-tronco puderem ser obtidas de uma pessoa com um tipo de tecido compatível (com compatibilidade com o antígeno leucocitário humano [human leukocyte antigen, HLA]).

O doador é geralmente um irmão ou irmã, mas são ocasionalmente usadas células de doadores sem parentesco (ou, às vezes, células com compatibilidade parcial de familiares ou doadores sem parentesco, assim como células-tronco umbilicais). O transplante de células-tronco é raramente usado em pessoas com mais de 65 anos, uma vez que ele tem muito menos probabilidade de ser bem-sucedido e os efeitos colaterais têm chance muito maior de serem fatais.

Terapias novas que usam anticorpos monoclonais (proteínas que se fixam especificamente às células leucêmicas, marcando-as para destruição) também são usadas em algumas em pessoas com LLA recidivada.

Uma terapia ainda mais recente que pode ser utilizada em algumas pessoas com LLA recidivada é chamada terapia de células T com receptor de antígeno quimérico (células T CAR). Esta terapia envolve modificar um tipo de linfócito (linfócitos T, também chamados células T) da pessoa que tem leucemia para que as novas células T reconheçam e ataquem as células leucêmicas.

Após uma recidiva, tratamento adicional para pessoas incapazes de passar por transplante de células-tronco é com frequência ineficaz e mal tolerado e frequentemente faz as pessoas se sentirem muito mais doentes. Contudo, podem ocorrer remissões. Deve-se considerar o tratamento terminal no caso de pessoas que não respondem ao tratamento.

Fonte: Por Ashkan Emadi, MD, PhD, University of Maryland;

Jennie York Law, MD, University of Maryland traduzido por Momento Saúde