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Síndrome de Alport (Nefrite hereditária)

A síndrome de Alport é uma síndrome nefrítica causada por uma mutação no genes COL4A3COL4A4, e COL4A5 que codifica a cadeia alfa-5 do colágeno tipo IV e produz fitas alteradas de colágeno tipo IV.

O mecanismo pelo qual essa alteração causa doença glomerular é desconhecido, mas presume-se que haja alteração de estrutura e função; na maioria das famílias ocorre espessamento e adelgaçamento das membranas basais glomerulares e tubulares, com multilaminação da lâmina densa em uma distribuição focal ou local (padrão lamelar). Eventualmente, evolui para cicatriz e fibrose intersticial.

Síndrome de AIport (nefrite hereditária)

A doença é mais comumente herdada ligada a cromossomo X, apesar de existir uma variedade autossômica recessiva e, raramente, há variedades autossômicas dominantes. Casos com herança ligada ao X podem ser clinicamente classificados como
  • Forma juvenil: insuficiência renal se desenvolve entre 20 e 30 anos

  • Forma adulta: insuficiência renal se desenvolve em pessoas 30 anos

Sinais e sintomas

 

Doença clássica ligada ao X em homens e doença autossômica recessiva são clinicamente semelhantes. Os pacientes desenvolvem sinais e sintomas renais similares aos da síndrome nefrítica aguda (p. ex., hematúria microscópica, hipertensão, eventualmente hematúria grave com proteinuria) e evoluem para insuficiência renal entre as idades de 20 e 30 anos (forma juvenil).

 

A perda auditiva neurossensorial está frequentemente presente, afetando as frequências mais altas; ela pode não ser percebida durante a primeira infância.

 

As anormalidades oftalmológicas — catarata (mais comum), lenticone anterior (uma protrusão cônica regular no aspecto anterior do cristalino em decorrência do afilamento da cápsula deste), esferofaquia (deformação esférica do cristalino que pode predispor à subluxação deste), nistagmo, retinite pigmentar, cegueira — também ocorrem com menor frequência do que a perda auditiva.

 

Doença ligada ao X ocorre em mulheres heterozigotas que, como têm um cromossomo X normal, geralmente têm sintomas menos graves e de progressão mais lenta do que os homens.

 

Alguns homens com doença ligada ao X desenvolvem insuficiência renal após os 30 anos, com perda auditiva que ocorre tardiamente ou é leve e doença autossômica dominante normalmente só causa insuficiência renal depois dos  45 anos de idade (formas adultas).

 

Em pacientes com a síndrome de Alport ligada ao X, a perda auditiva neurossensorial geralmente se manifesta na infância, enquanto a doença renal muitas vezes só se manifesta mais tarde na idade adulta.

 

Outras manifestações não renais raramente incluem polineuropatia e trombocitopenia.

Diagnóstico

  • Exame de urina

  • Biópsia renal

  • Análise genética molecular

O diagnóstico é sugerido em pacientes com hematúria microscópica no exame de urina ou episódios reincidentes de hematúria macroscópica, em particular se houver anormalidades auditivas e visuais ou história familiar de doença renal crônica.

Em geral, realizam-se exame de urina e biópsia renal. Além de eritrócitos disfórmicos, a urina pode conter proteínas, leucócitos e cilindros de vários tipos. Raramente ocorre síndrome nefrótica. Não há alterações histológicas distinguíveis na microscopia óptica normal. O diagnóstico pode ser confirmado por qualquer um dos seguintes itens:

  • Biópsia renal com imunocoloração para os subtipos de colágeno tipo IV

  • Desorganização característica da lamina densa com espessamento e adelgaçamento variáveis das membranas basais capilares glomerulares observados na microscopia eletrônica

  • Biópsia de pele com imunocoloração pra os subtipos de colágeno tipo IV em um paciente com história familiar positiva

  • Análise genética molecular dos genes COL4A

 

Em geral, é necessária a combinação de imunocoloração e microscopia eletrônica para distinguir a síndrome de Alport de algumas formas de doença da membrana basal fina.

Tratamento

  • O mesmo de outras causas de insuficiência renal crônica

  • Transplante de rim

 

O tratamento só é indicado quando ocorre uremia; é igual ao da insuficiência renal crônica de outras causas. Alguns relatos com poucos casos sugerem que o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina II podem diminuir a progressão da doença renal. Transplante foi bem sucedido, mas a doença de anticorpos da membrana basal glomerular pode ocorrer, geralmente somente em homens, no rim transplantado. Indica-se aconselhamento genético.

Fonte: Por Frank O’Brien, MD, Washington University in St. Louis

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