O impacto das novas tecnologias no aumento dos custos do tratamento do câncer

Médica conversando com mulher com câncer em hospital

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O câncer é uma das doenças que mais desafiam os sistemas de saúde em todo o mundo. No Brasil, esse desafio se torna ainda mais complexo diante do avanço acelerado das tecnologias médicas, do envelhecimento da população e do crescimento constante da demanda por tratamentos cada vez mais personalizados. 

Como consequência direta, os custos do tratamento do câncer vêm aumentando de forma significativa nos últimos anos.

Estudos recentes apresentados pela Unidas mostram que a incorporação de novas tecnologias na oncologia, embora traga benefícios inegáveis aos pacientes, tem pressionado tanto o sistema de saúde suplementar quanto o Sistema Único de Saúde (SUS). Esse cenário exige reflexão, planejamento e decisões baseadas em evidências científicas.

A evolução do tratamento oncológico e seus efeitos financeiros

Nas últimas décadas, o tratamento do câncer passou por mudanças profundas. O que antes era baseado majoritariamente em quimioterapia convencional e cirurgia evoluiu para abordagens mais sofisticadas, focadas na biologia do tumor e nas características individuais de cada paciente.

A medicina personalizada e a imunoterapia representam avanços importantes, pois aumentam as chances de sucesso do tratamento e reduzem efeitos colaterais em muitos casos. 

No entanto, esses avanços também elevaram os custos do tratamento do câncer, uma vez que envolvem pesquisas complexas, desenvolvimento tecnológico caro e produção altamente especializada.

Diferentemente dos tratamentos tradicionais, muitas dessas terapias modernas precisam ser usadas por períodos prolongados, o que amplia ainda mais o impacto financeiro ao longo do tempo.

Medicamentos inovadores e o peso no orçamento da saúde

Entre os principais fatores que explicam o crescimento dos custos do tratamento do câncer, os medicamentos ocupam posição de destaque. Os novos fármacos oncológicos, especialmente os biológicos e imunoterápicos, possuem valores elevados e, em muitos casos, são indispensáveis para a sobrevida do paciente.

Além do preço unitário alto, o custo total do tratamento aumenta porque esses medicamentos costumam ser utilizados em combinação com outros recursos terapêuticos, como exames avançados e acompanhamento contínuo. 

Esse conjunto de fatores faz com que o gasto médio por paciente seja cada vez maior, tanto na saúde privada quanto no sistema público.

Envelhecimento da população e aumento da incidência da doença

Outro ponto fundamental para compreender os custos do tratamento do câncer é o envelhecimento da população brasileira. À medida que a expectativa de vida aumenta, cresce também a incidência de doenças crônicas, entre elas o câncer.

Com mais pessoas sendo diagnosticadas, há uma demanda crescente por exames, consultas especializadas, tratamentos prolongados e acompanhamento de longo prazo. 

Esse aumento acontece justamente em um momento em que os tratamentos disponíveis são mais eficazes, porém mais caros, o que cria um desafio adicional para a sustentabilidade do sistema de saúde.

Impactos na saúde suplementar

As operadoras de planos de saúde enfrentam um cenário cada vez mais delicado. O crescimento contínuo dos custos do tratamento do câncer afeta diretamente o equilíbrio financeiro do setor e influencia reajustes, modelos de cobertura e estratégias de gestão.

Segundo discussões promovidas pela Unidas, há preocupação com a velocidade de incorporação de novas tecnologias, muitas vezes sem uma avaliação aprofundada de custo-efetividade. Além disso, a judicialização da saúde tem impacto direto no planejamento financeiro, tornando os gastos menos previsíveis.

Desafios enfrentados pelo Sistema Único de Saúde

No SUS, o impacto dos custos do tratamento do câncer é ainda mais sensível. O sistema atende milhões de brasileiros e precisa equilibrar recursos limitados com a necessidade de garantir acesso universal e integral ao tratamento oncológico.

Entre os principais desafios enfrentados pelo sistema público estão:

  • Limitações orçamentárias para incorporação de novas tecnologias;

  • Diferenças regionais no acesso ao diagnóstico e ao tratamento;

  • Longos tempos de espera para início da terapia.

Esses fatores reforçam a importância de políticas públicas bem estruturadas e de decisões baseadas em evidências científicas sólidas.

Judicialização e aumento dos custos

judicialização da saúde é um fenômeno crescente no Brasil e também contribui para o aumento dos custos do tratamento do câncer. Muitos pacientes recorrem ao Judiciário para obter acesso a medicamentos ou terapias que ainda não foram incorporados oficialmente pelos sistemas de saúde.

A importância da avaliação de tecnologias em saúde

Para enfrentar o crescimento dos custos do tratamento do câncer, especialistas defendem o fortalecimento da Avaliação de Tecnologias em Saúde. Esse processo é essencial para analisar não apenas a eficácia clínica de uma nova tecnologia, mas também seu impacto financeiro e seu real benefício para a população.

Uma incorporação responsável permite equilibrar inovação e sustentabilidade, garantindo que os recursos disponíveis sejam utilizados da melhor forma possível.

Caminhos para tornar o cuidado oncológico mais sustentável

Apesar dos desafios, existem estratégias capazes de reduzir o impacto dos custos do tratamento do câncer sem comprometer a qualidade do cuidado oferecido aos pacientes. Entre as abordagens mais discutidas estão:

  • Investimento em prevenção e diagnóstico precoce;

  • Uso racional de tecnologias e medicamentos;

  • Protocolos clínicos baseados em evidências científicas.

A prevenção, em especial, é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir custos a longo prazo e melhorar os desfechos em saúde.

Informação, transparência e o papel do paciente

O acesso à informação clara e de qualidade é fundamental para que pacientes e familiares compreendam os custos do tratamento do câncer e participem de forma ativa das decisões sobre o cuidado. Uma comunicação humanizada fortalece a relação entre profissionais de saúde e pacientes, reduz inseguranças e contribui para escolhas mais conscientes.

Conclusão

O crescimento dos custos do tratamento do câncer reflete os avanços da medicina, o envelhecimento da população e a incorporação acelerada de novas tecnologias. 

Embora esses fatores tragam benefícios importantes, eles também exigem responsabilidade, planejamento e diálogo constante entre governo, operadoras, profissionais de saúde e sociedade.

Garantir acesso ao tratamento oncológico de qualidade, de forma sustentável, é um dos grandes desafios da saúde no Brasil. Enfrentá-lo exige decisões técnicas, baseadas em evidências, e um olhar atento às necessidades humanas por trás dos números.

Fontes:
Instituto Nacional de Câncer (INCA);
Organização Mundial da Saúde;
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);
Ministério da Saúde;
Conitec – Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS;
Futuro da Saúde.

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