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Como o canabidiol (CBD) tem sido usado em tratamentos de pacientes?

Como o canabidiol (CBD) tem sido usado em tratamentos de pacientes?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, em dezembro de 2019, resolução que autoriza a comercialização de produtos à base de cannabis em farmácias. A medida, válida por três anos, é direcionada para o uso medicinal. Os produtos não poderão ser manipulados e só podem ser vendidos com receita médica.

Na cannabis, há um composto químico chamado canabidiol ou CBD, que, devido a algumas propriedades, passou a ser empregado em diferentes tratamentos.

Quais as principais propriedades do canabidiol (CBD)?

O CBD, que é obtido da cannabis, tem sido utilizado na medicina pois ativa receptores que regulam o sistema de defesa e o sistema nervoso, conseguindo uma boa resposta em processos como apetite, dor, humor, memória, quadros inflamatórios, entre outros.

O composto surpreende devido ao seu efeito neurogênico, ou seja, estimulação de novas sinapses, podendo ser uma promessa para amenizar os sintomas do autismo ou para retardar os efeitos do Alzheimer, por exemplo.

Nesse cenário, devido aos potenciais do CBD, cerca de 40 países já aprovaram o uso medicinal da cannabis, inclusive o Brasil com a recente resolução da Anvisa.

Porém, apesar de regulamentado, é um composto químico que gera muita controvérsia, já que é obtido da planta da maconha, fato que leva as pessoas a questionarem: e os efeitos entorpecentes?

CBD e THC: compostos diferentes

É preciso explicar que a cannabis apresenta o tetra-hidrocanabidiol (THC), que é tóxico e tem propriedade psicotrópica, e o canabidiol (CBD), utilizado como função analgésica ou relaxante. Dessa forma, somente o THC é que afeta as funções cerebrais e não o CBD.

Mas, mesmo que haja combinação desses compostos, há estudos que apontam que o CBD tem efeitos antipsicóticos que controlam os efeitos adversos do THC caso sua concentração seja alta.

Quais são as indicações de uso?

O composto vem apresentando bons resultados para diversos pacientes. No entanto, para muitas doenças, ainda faltam mais pesquisas para comprovar sua eficácia. Muitos estudos, apesar de apontarem os benefícios, foram conduzidos com uma amostragem pequena e ainda demandam mais testes.

Confira a seguir os tratamentos que podem ter eficiência com o uso medicinal da cannabis:

  • epilepsia;
  • sintomas do autismo;
  • dores neuropáticas;
  • esclerose múltipla;
  • efeitos da quimioterapia;
  • fobia social;
  • dependência de drogas;
  • Alzheimer;
  • Parkinson;
  • esquizofrenia;
  • artrite;
  • enxaqueca crônica;
  • sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC);
  • quadros de ansiedade.

Para crianças e adolescentes com epilepsia, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autoriza o uso de remédios à base de CBD desde 2014. O composto consegue reduzir os quadros convulsivos em pacientes com epilepsia grave e até eliminar os episódios em alguns casos. Com isso, há a redução do uso de anticonvulsivantes tradicionais, que são prejudiciais para os rins e para o fígado.

Para crianças que estão no Transtorno do Espectro Autista (TEA), o uso da substância pode reduzir os quadros de ansiedade, irritabilidade, insônia e agressividade, melhorando a qualidade de vida desses pacientes. Há relatos de pacientes que tiveram ganhos com a linguagem e socialização após serem medicadas com cannabis, benefícios importantes para pacientes com essa condição.

Na oncologia, há estudos em andamento que apontam que o canabidiol pode ser benéfico para pacientes que fazem quimioterapia, pois ameniza os sintomas de dor, náusea, vômito e fadiga.

Há promessas ainda no uso do CBD para o tratamento de dependentes do crack. Estudos estão avaliando as propriedades para a redução da compulsão, além do combate à insônia e ansiedade.

Como fica a comercialização do produto no Brasil?

Os produtos à base de cannabis poderão ser vendidos no país para uso oral e nasal (comprimidos, líquidos ou soluções oleosas). Além disso, devem ser comercializados prontos, sendo proibida sua manipulação.

A medida da Anvisa exige que embalagem deixe claro qual é a a concentração dos principais compostos da formulação, como o CBD e o THC.

Assim, para adquirir produtos com concentração de THC menor que 0,2%, é necessário receituário tipo B; já para concentração de THC acima de 0,2%, o receituário é do tipo A e sua liberação só será feita para pacientes terminais ou para aqueles em que não exista outra alternativa terapêutica.

Outro ponto a se destacar é que, nesses 3 anos de validade da resolução da Anvisa, essas substâncias não entram na classe de medicamentos: são classificados como “produto à base de cannabis“. Isso porque ainda devem passar por testes técnicos-científicos que comprovem sua eficácia, segurança e possíveis efeitos no organismo.

Quais os efeitos colaterais da substância?

Apesar de ainda faltarem pesquisas com maior amostragem para diversos casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o CBD tem um bom perfil de segurança. Segundo o órgão, quando o canabidiol tem indicação terapêutica, não há risco de gerar dependência.

Pesquisadores do Canadá analisaram 11 revisões sobre o assunto que demonstraram os efeitos colaterais de canabionoides medicinais, como hipotensão, alucinação paranoia e até distúrbios visuais.

Nesse cenário, apesar das promessas do CBD no campo farmacêutico, ainda são necessários ensaios clínicos controlados e estudos duplo-cego para um melhor entendimento sobre a eficácia da substância.

Além disso, é importante que médicos e profissionais de saúde orientem a população, que pode considerar a substância como milagrosa. É necessário alertar que o uso deve ter a prescrição e acompanhamento médico, pois existe uma dose e frequência de utilização adequadas, além de possíveis efeitos para cada situação.

Com a liberação da venda de produtos à base de cannabis no Brasil, vai aumentar o uso do CBD para diferentes tratamentos. Atualmente, os efeitos comprovados são para as convulsões nos casos de epilepsia, mas há estudos que demonstram sua eficácia para outras doenças e condições. Portanto, certamente, a indicação de canabidiol ganhará mais abrangência nos próximos anos.

O uso do CBD para fins medicinais ainda levanta muita polêmica no Brasil, com opiniões favoráveis e desfavoráveis, principalmente pela associação direta que muitas pessoas fazem com os efeitos da maconha. Como você vê essa questão? Deixe seu comentário neste post para enriquecer essa discussão!

Fonte: blog.medicalway