Medicamentos nos planos de saúde: custos, impactos e mais

Medicamentos espalhados perto de aparelho médico e notas de dinheiro

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Nos últimos anos, o custo da assistência médica no Brasil tem crescido de forma significativa, e um dos principais responsáveis por esse aumento são as despesas com medicamentos nos planos de saúde.

Dados recentes de institutos de pesquisa do setor mostram que os gastos com remédios já representam uma fatia cada vez maior das despesas assistenciais, superando procedimentos tradicionais como internações e consultas.

Esse cenário afeta diretamente os usuários, especialmente aqueles que dependem de tratamentos contínuos, medicamentos de alto custo ou terapias inovadoras.

Diante disso, muitas pessoas passam a buscar alternativas para garantir o acesso aos medicamentos sem comprometer o orçamento familiar. Uma das principais opções é o Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece medicamentos gratuitos, inclusive de alto custo, desde que alguns critérios sejam atendidos.

O crescimento das despesas com medicamentos nos planos de saúde

O avanço da medicina, embora traga benefícios inegáveis, também eleva os custos do sistema. Novos medicamentos, principalmente os biológicos, oncológicos e terapias personalizadas, têm preços elevados e uso contínuo.

As despesas com medicamentos nos planos de saúde cresceram de forma consistente entre 2019 e 2024, impulsionadas por fatores como:

Hoje, os medicamentos já representam cerca de 25% a 35% dos custos assistenciais de muitas operadoras, o que pressiona reajustes e restringe coberturas.

Planos individuais sentem ainda mais o impacto

Nos planos de saúde individuais e familiares, o aumento das despesas com medicamentos tem um efeito ainda mais perceptível para os beneficiários, pois há um limite da capacidade das operadoras de repassar integralmente os custos crescentes dos tratamentos. Como resultado, o equilíbrio financeiro desses planos torna-se mais delicado, afetando diretamente a forma como a cobertura é oferecida.

Com a elevação contínua das despesas com medicamentos nos planos de saúde, as operadoras passam a adotar critérios mais restritivos para autorizações, principalmente quando se trata de medicamentos de uso contínuo, terapias modernas ou tratamentos considerados de alto custo.

Para o consumidor, isso pode se traduzir em mais exigências burocráticas, prazos maiores para liberação e, em alguns casos, negativas de cobertura que geram insegurança e preocupação com a continuidade do tratamento.

Outro ponto relevante é que os planos individuais costumam atender um público mais vulnerável, formado por idosos, pessoas com doenças crônicas e famílias que dependem exclusivamente desse tipo de contrato para acessar serviços de saúde.

Quando há dificuldade no acesso aos medicamentos prescritos, muitos usuários acabam arcando com gastos elevados do próprio bolso ou são levados a buscar alternativas fora do plano, como o Sistema Único de Saúde (SUS).

Medicamentos cobertos pelos planos de saúde: o que diz a lei

De acordo com a legislação brasileira e as normas da ANS, os planos de saúde são obrigados a cobrir medicamentos quando administrados durante internações ou procedimentos ambulatoriais, desde que estejam no rol de procedimentos vigente.

Portanto, muitos medicamentos de uso domiciliar ou de alto custo acabam ficando fora da cobertura regular, mesmo quando essenciais ao tratamento. Essa situação acaba deixando muitos pacientes e familiares inseguros em relação à própria vida, pois convive com uma doença que não tem condições de arcar financeiramente e não é aprovado nos planos de saúde.

O papel do SUS no acesso a medicamentos gratuitos

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo e garante, por lei, o acesso universal e gratuito ao quesito mais precioso de todo ser humano: a saúde, o que inclui os medicamentos essenciais.

Nesse sentido, o fornecimento gratuito de medicamentos pelo SUS é organizado em três componentes:

Componente Básico

Inclui medicamentos para doenças comuns, como:

Disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Componente Estratégico

Voltado para doenças de interesse público, como:

Componente Especializado (CEAF)

Aqui estão os medicamentos de alto custo, utilizados no tratamento de doenças complexas e crônicas.

Como conseguir medicamentos de alto custo gratuitamente pelo SUS

Esta é uma das dúvidas mais comuns entre pacientes que enfrentam altas despesas com medicamentos nos planos de saúde. A boa notícia é que é possível obter esses medicamentos gratuitamente, desde que alguns critérios sejam atendidos:

1. Tenha um diagnóstico médico bem documentado

O primeiro passo é possuir:

  • Laudo médico detalhado;

  • CID (Classificação Internacional de Doenças) da doença;

  • Justificativa clínica para uso do medicamento.

O laudo pode ser emitido por médico da rede pública ou privada.

2. Verifique se o medicamento está na lista do SUS

O SUS utiliza protocolos clínicos chamados PCDTs (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas), que determinam quem pode receber o medicamento, em quais situações pode receber e quais exames comprobatórios são necessários.

3. Reúna a documentação necessária

Normalmente, são exigidos:

  • Documento de identidade;

  • Cartão SUS;

  • Comprovante de residência;

  • Prescrição médica atualizada;

  • Exames laboratoriais e de imagem.

Cada estado pode ter pequenas variações no processo.

4. Faça a solicitação na farmácia de alto custo

A solicitação deve ser feita em:

Após análise técnica, o pedido pode ser aprovado ou indeferido.

5. Em caso de negativa, é possível recorrer

Se o medicamento for essencial e houver negativa administrativa, o paciente pode:

  • Solicitar reavaliação;

  • Buscar apoio da Defensoria Pública;

  • Entrar com ação judicial.

A judicialização é comumente utilizada como uma alternativa diante das falhas no acesso.

SUS x planos de saúde: caminhos complementares

Apesar do crescimento das despesas com medicamentos nos planos de saúde, o SUS continua sendo um importante aliado, inclusive para quem possui plano privado.

Muitos beneficiários utilizam:

  • O plano para consultas e exames;

  • O SUS para medicamentos de alto custo.

Essa combinação ajuda a reduzir gastos pessoais e garantir continuidade no tratamento.

Impactos sociais do aumento dos custos com medicamentos

O aumento dos custos com medicamentos afeta diretamente a rotina e a segurança dos pacientes, especialmente daqueles que dependem de tratamentos contínuos.

Com a elevação das despesas com medicamentos nos planos de saúde, muitos usuários passam a enfrentar dificuldades para manter o tratamento prescrito, seja por negativas de cobertura, aumento de gastos do próprio bolso ou necessidade de buscar alternativas fora do plano.

Para o paciente, o impacto mais imediato é a insegurança em relação à continuidade do cuidado. O receio de não conseguir acessar o medicamento indicado pelo médico gera ansiedade e pode levar à interrupção do tratamento, o que compromete a eficácia terapêutica e a qualidade de vida. Em casos de doenças crônicas ou graves, essa situação tende a ser ainda mais delicada.

Nesse contexto, o SUS assume um papel essencial como apoio aos pacientes que não conseguem obter seus medicamentos pela saúde suplementar. O crescimento das despesas com medicamentos nos planos de saúde reforça a importância de informação e orientação adequadas, para que o paciente conheça seus direitos e saiba onde buscar alternativas seguras para garantir o tratamento necessário.

Conclusão

O crescimento das despesas com medicamentos nos planos de saúde reflete avanços tecnológicos, mas também expõe desigualdades no acesso ao tratamento.

Para milhões de brasileiros, o SUS representa uma alternativa viável para obter medicamentos de alto custo de forma contínua e segura, assim como as demandas judiciais em caso de não fornecimento.

Conhecer seus direitos, entender os fluxos do sistema público e buscar informação de qualidade são passos fundamentais para garantir saúde, dignidade e qualidade de vida.

Fontes:
Futuro da Saúde;
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);
Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS);
Ministério da Saúde – Sistema Único de Saúde (SUS);
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT);
Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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